Livros

ARMINDO DOS SANTOS VAZ, ocd

Em vez de «história de Adão e Eva»: O sentido último da vida

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Depoimentos sobre o livro, na versão anterior:

“Se F. Nietzsche tivesse lido esta interpretação da chamada «história de Adão e Eva», não teria invectivado tão agressivamente o cristianismo”: Comentário do docente de Filosofia na Universidade Católica, Prof. Doutor Carlos Silva, à leitura desta obra.

“À volta de Génesis 2-3, muito fez a filologia; muito fez a história da redacção e da tradição; muito fez o paralelismo com as culturas afins; muito fez a tese de Armindo Vaz. E ainda resta muito a estudar!... Curvo-me perante a seriedade da investigação. Admiro a erudição e a coragem de inovar. Desejo vivamente que a tese de Armindo Vaz não fique marginalizada pela língua em que está escrita e entre na discussão científica internacional do relato da criação. Pelo menos em Portugal, não seria bom que o Autor ficasse em monólogo”: José Nunes Carreira, Professor da Universidade de Lisboa, em Cadmo 6/7 (1996-1997) 84 e 80.

“He podido leer parte de su ponderosa y ponderada tesis. Supera con mucho lo que se estila en género «tesis», por su riquísima información y por la independencia de los juicios. Ojalá pueda provocar una discusión provechosa, para revisar o refinar interpretaciones. Con este libro y con lo que vendrá pienso que entrará Usted en la serie de Foreiro y otros ilustres biblistas portugueses”: Luís Alonso Schökel, SJ, profesor no Pontifício Instituto Bíblico de Roma, carta de 10.11.1997.

“Este trabalho é estimulante, pelo método, pela abundância de informação e da literatura com que lida. Recomenda-se uma tradução para o inglês”: J.Alberto Soggin, professor no Pontifício Instituto Bíblico de Roma.
“Je trouve très intéressante cette lecture de Gn 2-3 que vous opérez à la lumière de la littérature Proche-orientale. Je n’avais jamais rencontré une étude aussi fouillé [aprofundado] avec une telle approche. Je la conserve comme une référence et suis sûr que j’aurai de multiples raisons de la consulter pour des travaux postérieurs”: Michel Quesnel, professor no Institut Catholique de Paris, carta de 20.6.1998.

“Há 50 anos estive para não me ordenar por não poder suportar a «historicidade» dos primeiros capítulos do Génesis… O seu livro, que li vorazmente e recomendei aos colegas, trouxe-me um imenso alívio. A verdade, de facto, liberta!... Obrigado, pois. E parabéns!...”:
P. José Braula Reis, igreja de S. Domingos, Lisboa, carta de 15.6.1996.

 


Algumas páginas do livro:


p. 95:
A expressão “complemento adequado” [de Gn 2,18] significa “complemento que está diante, em frente de alguém”, que está presente e a ver. É, portanto, o complemento representado pelo rosto do outro, que dá presença e visibilidade à pessoa, manifesta o seu projecto originário e o «descobre». O rosto é o modo de ser ou a expressão da pessoa: no rosto emerge para o outro a intimidade secreta que constitui a identidade da pessoa. E a realidade que é o próprio reflecte-se no espelho que é o outro: nele se reconhece e se projecta. Por isso, a vida pessoal é essencialmente convivência.
…Na sua dimensão de sexuada, a pessoa tem carácter frontal, devido a que a vida do homem se faz em frente da mulher e vice-versa: está orientada para o outro. Isto quer dizer que a pessoa do homem ou da mulher se exprime e se manifesta «dando a cara» ao outro. E cada um também é – na medida em que vai fazendo «face ao» outro – condicionado, estimulado, ajudado, enriquecido pelo outro. Cada um vai para o outro. Busca-se nele. Completa-se nele. Sem o outro, cada um é menos ele próprio, é só metade de si. A sua vida faz mais sentido enquanto partilhada com o outro, enquanto o faz tender para ele e o reúne com ele, quando se dá a ele e se recebe no seu dom.
E porque cada um se faz com o outro, a pessoa nunca está acabada, não está «dada», pode ser sempre mais: a relação pessoal é sempre «véspera da perfeição». Cada um precisa do outro como insubstituível e irrenunciável. Homem e mulher são sempre o mesmo e a mesma, mas nunca a mesma coisa. Ser é dispor-se a ser, é estar aberto a ser sempre mais.

p. 319:
Quase se diria que a grandeza de uma pessoa está na sua capacidade de viver em vida a própria morte, numa afectuosa e serena ironia perante os próprios limites. A narração de Gn 2-3 sugere que não se conhece bem a totalidade da vida se não se inclui no seu círculo a morte. Se, ao concentrar o pensamento na sua existência, emerge imediatamente no leitor a ideia do seu fim, é igualmente verdade o contrário: quando toma consciência de que um dia desaparecerá fisicamente, compreende mais nitidamente que a vida é infinitamente valiosa. “É precisamente o facto de ser finita e limitada, o facto de termos de enfrentar o seu fim que confere maior valor à vida”. O leitor atento de Gn 2-3 não pode pensar o acontecimento da morte sem sentir que viver é algo maravilhoso. São duas faces da mesma medalha. Quanto mais clara vir uma face da medalha, mais clara se lhe torna também a outra. A morte física afecta a existência em cheio. É o momento que encerra e enche completamente a existência no tempo e lhe confere um sentido de totalidade: quando se pensa nela, provoca a questão do sentido de toda a vida. Entendê-la como o termo da vida é relacioná-la com o sentido último desta. E deixa pensar: já posso morrer porque viver faz sentido.
Quer dizer, para o narrador de Gn 2-3 a morte também define a vida. O ser humano é o único a saber que vai morrer. Ora, quem sabe que vai morrer não vive da mesma maneira que aquele que, por hipótese, soubesse que não morre­ria. Gn 2-3 ajuda a transformar esse saber num acto pessoal consciente, evitan­do que seja só um problema para o vizinho. Assim, a morte pesa na balança do sentido da vida cada decisão que o leitor toma e faz-lhe viver como precioso e último cada instante da sua existência.

p. 382:
Tendo Gn 2-3 sido habitualmente lido como história de pecado com moral, agora pode ser lido como mito de origem com elevado sentido antropológico e espiritual. Considerá-lo «mito de origem» não é ‘volatilizar’ a substância e a mensagem do texto. É possibilitar a descoberta de mais significado e abrir as portas da sua subtileza… A leitura [de Gn 2-3] que prescinda do prisma do mito corre o risco de se desviar do seu sentido ou de ficar impedida de o captar.
Em que consiste «compreender» o mito adâmico? Primeiramente, consiste em aceitar que é um mito… Esta crónica do primeiro par humano já não está em consonância – para o homem moderno que aprendeu a diferença entre o mito e a história – com o tempo da história nem com o espaço da geografia… É preciso deixar bem assente que a questão «onde e quando comeu Adão o fruto proibido?» já não faz sentido para nós. Qualquer esforço por salvar a literalidade do relato como uma história acontecida é vão e desesperado: o que sabemos, como homens de ciência, dos começos da humanidade não deixa lugar para semelhante acontecimento primordial. Estou convencido de que esta plena aceitação do carácter não histórico – no sentido da história segundo o método crítico – é o reverso da medalha de uma grande conquista: a conquista da função simbólica do mito. Mas então não se deveria dizer: a história da ‘queda’ não é mais do que um mito, ou seja, menos do que uma história. Deveria dizer-se antes: a história da queda tem toda a grandeza do mito, isto é, tem mais sentido do que uma história verdadeira (Paul Ricoeur).
Lida com a fecundidade do mito de origem, diz a verdade da vida. Diz verdade da condição humana bonita, constituída de forma complementar pelo homem e pela mulher, dotada do conhecimento, mas finita, sofredora, mortal. Diz verdade, ao procurar interpretar as coisas da vida humana e dar-lhe sentido de transcendência. Diz a verdade suprema do homem e da mulher, ao afirmar na fé que provêm de Deus. Diz verdade antropológica e teológica de todo o ser humano. Conta a história central das nossas vidas, a história que, mais do que qualquer outra, nos diz o que significa ser humano, razão pela qual – ao escutá-la – sentimos que somos mais nós próprios.


A arte de ler a Bíblia

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Este livro, A Arte de Ler a Bíblia, da autoria do carmelita, P. Armindo Vaz, professor de Sagrada Escritura na Faculdade de Teologia da UCP - Lisboa, é um excelente contributo para nos introduzir no conhecimento da Palavra Revelada. O autor expõe e propõe a arte total de ler a Bíblia com gosto e proveito literário, humano e espiritual, através da lectio divina, “leitura divina”. Este método testado e avalizado com bons resultados por uma rica tradição de séculos e pessoas, desde os Padres da Igreja até aos monges da Idade Média, goza hoje de toda a actualidade. A lectio divina veio para ficar e este livro ajuda-nos a redescobrir esta arte de ler, meditar e saborear a Palavra de Deus.

 


Enterder a Bíblia. Viver a Palavra

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O Autor, nesta Obra, pretende não só mostrar, mas sobretudo ensinar que a "lectio divina" é a arte por excelência de ler a Bíblia. É a forma que a Igreja consagrou como aquela que mais explora as potencialidades do texto sagrado e que mais luz projecta sobre a vida. Nesta Obra o Autor aplica este método a dois relatos do Evangelho: a transfiguração e a viagem dos discípulos de Emaús.

 


 

PALAVRA VIVA, ESCRITURA PODEROSA. A Bíblia e as suas linguagens

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“Compreendes o que vais a ler?” – perguntou Felipe ao alto funcionário da rainha dos etíopes quando fazia caminho a ler Isaías. – “Como posso compreender se ninguém me orienta?” (Act 8,26-39). Realmente, a Bíblia, escrita ao longo de onze séculos, é a memória e a fina flor da história de um povo, qual lição a ser aprendida por outros povos e pessoas. Mostra Deus a fazer história com os humanos, a entrar nos seus caminhos e a dar-lhes sentido transcendente. Enquanto os deuses das grandes civilizações foram representados em estátuas materiais e agora enchem os museus do mundo, o Deus da Bíblia só quis ser representado em imagens da linguagem figurativa e hoje enche as vidas e as consciências dos seus fiéis, fazendo-lhes sentir que os ama e que quer que se amem mutuamente. A da Bíblia é a linguagem do amor, da bondade e da fraternidade universal. Mas as suas formas de expressão oriental e antiga, estando tão longe quanto o Oriente do Ocidente, põem problemas ao leitor ocidental e de hoje, desarmado de ferramentas de interpretação. Este livro oferece-lhas, para penetrar nas suas linguagens, resolver dúvidas e questões, superar eventuais escândalos, descobrir os tesouros da sua mensagem humana e até saborear a revelação divina. Estende pontes de compreensão entre o hoje do leitor e o ontem do autor, para que a Escritura volte a ser o Livro da vida das pessoas que nela encontram, não uma moral, mas o suplemento de alma e o reino da bem-aventurança.

 


 

A caminho em casal com Cristo

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A leitura orante da Bíblia, a Lectio Divina, é um exercício de escuta da Palavra de Deus, que vale a pena ser acarinhado pelos casais e Conselheiros Espirituais das Equipas de Nossa Senhora. Foi objecto de reflexão em vários números da CARTA e tivemos a graça de fazer essa experiência nas reuniões da equipa e do Colégio da Supra-Região com o nosso Conselheiro Espiritual, o Padre Armindo Vaz. Este momento de oração, rico e profundo, foi para todos nós um estímulo a progredir na oração pessoal e em casal, fazendo da leitura orante da Bíblia, o momento alto do Encontro. Foi com deleite que viajámos, ao longo dos quatro anos em que estivemos juntos, fazendo caminho com Cristo, através do seu pensamento, que numa explosão de palavras, marcam o Homem e o biblista de forma indelével, e que agora se apresenta compilado num livro, que liberta a imaginação do leitor para percorrer tudo aquilo que foi dito (nas linhas e um tanto mais que será descoberto (nas entrelinhas).

Não basta apenas rezar, importa saber rezar para o concreto da acção no quotidiano. “Estar na presença de Deus” dizia o Padre Caffarel, é fazer silêncio e deixar que o Espírito Santo actue em nós. E a procura desse silêncio faz-se através de um exercício de escuta, de reflexão, de entrega e de vontade de o deixar brilhar em cada momento da nossa vida.

A caminho, em casal, com Cristo… deixemo-nos conduzir por estas reflexões elaboradas pelo Padre Armindo, que seguramente nos ajudarão a fazer da nossa vida uma oração diária e da nossa oração o lugar privilegiado de encontro com Cristo, procurando querer estar na Sua presença. Que elas nos ajudem a compreender e a meditar, passo a passo, o caminho para a santidade em casal, a partir da leitura orante da Bíblia. Que estes momentos de oração possam fazer de cada um de nós, um habitáculo da graça de Deus, que nos ajuda a encontrá-lo no nosso cônjuge, na nossa família ou na reunião da nossa equipa, e assim possamos ser fiéis à vocação de casais cristãos unidos pelo Matrimónio e ao carisma fundador das Equipas de Nossa Senhora.